Requiem de Verdi: A Magnitude do Fim
Existem obras que não são apenas música, mas sim um estado de espírito. O Requiem de Giuseppe Verdi — especificamente o Dies Irae e o Tuba Mirum — é o som da grandeza absoluta.
Um Requiem é, estruturalmente, uma missa para os mortos. O curioso é que Verdi era um homem conhecido por seu ateísmo (ou agnosticismo convicto), o que torna a força dessa obra ainda mais singular e interessante. Ele pegou um rito religioso e o transformou em um drama humano monumental, focado na intensidade do fim e na grandiosidade do som.
O Chamado do Guerreiro
O que sinto ao ouvir esse trecho é um chamado para a guerra. É a imagem de guerreiros prontos, despidos de qualquer medo da morte, onde o único destino que importa é a honra e a glória.
Os trompetes, os metais e a percussão violenta criam um aspecto de glória tão imenso que a própria ideia da morte se torna pequena, quase irrelevante. É uma vitória sonora, principalmente no final do Tuba Mirum, onde o som parece romper as barreiras do tempo e ocupar todo o espaço.
O Texto e o Significado
Dies Irae (O Dia da Ira)
Dies irae, dies illa / Solvet saeclum in favilla / Teste David cum Sibylla! > (O dia da ira, aquele dia / Dissolverá o mundo em cinzas / Como testemunham Davi e a Sibila!)
Tuba Mirum (A Trombeta Maravilhosa)
Tuba mirum spargens sonum / Per sepulcra regionum / Coget omnes ante thronum. > (A trombeta espalhando um som maravilhoso / Pelos sepulcros das regiões / Reunirá todos diante do trono.)
Essa é uma obra magnífica e contemplativa. Ela me lembra que, diante do inevitável, existe uma beleza épica na postura de quem encara o destino de frente. É o som de quem não se curva.